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Caldas / Sociedade
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Debate sobre “As razões técnicas para um novo Hospital no Oeste”

Autarcas unânimes quanto à construção mas não na localização

A necessidade de um novo hospital para a região do Oeste é algo “incontornável e consensual” entre os autarcas da região. Quanto à localização, a maioria também se mostrou unânime em que a nova unidade seja construída independentemente do local, mas perto do nó da A8, com a exceção do presidente da Câmara das Caldas, Tinta Ferreira, que voltou afirmar perante 180 pessoas que “deve ser naturalmente nas Caldas da Rainha”, ou então, na área de confluência com Óbidos.

03-07-2019 | Mariana Martinho

Painel de oradores do debate sobre o novo Hospital no Oeste
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Painel de oradores do debate sobre o novo Hospital no Oeste
Essa posição foi defendida pelo autarca, durante o debate, que decorreu no dia 29 de junho, no pequeno auditório do CCC, promovido pelo Conselho da Cidade – Associação para a Cidadania das Caldas da Rainha, com intuito de “apelar à participação cívica das diferentes comunidades do Oeste, com partilha e encontro de ideias e, porventura, abrir portas para linhas de trabalho e encontro de soluções sustentadas de futuro”.
Apesar dos restantes autarcas não considerarem que as Caldas deva ser a melhor localização, o edil garante que vai “continuar a debater e a tentar convencer os colegas” que o seu concelho tem as melhores condições técnicas e geográficas para a instalação de um novo hospital na região.
Tinta Ferreira também alertou que “essa decisão não será nem local, nem regional, mas sim de âmbito nacional”, já que os municípios encontram-se a debater para que haja fundos comunitários, previstos para o período 2020-2030, para a construção de um novo hospital e requalificar as estruturas existentes, “sob pena dos cidadãos do oeste não terem os cuidados de saúde devidos”.
Presentes também estiveram os presidentes das autarquias de Torres Vedras, Peniche, Bombarral, Lourinhã e ainda o vice-presidente da câmara de Óbidos.
Para o autarca de Peniche, Henrique Bertino, é “impensável que continuemos com esta indecisão” e por isso, “proponho que os autarcas votem em função de um estudo, que deve ser feito tendo em conta o acesso para todas a populações dos concelhos da região”. Já o seu colega de Torres Vedras, Carlos Bernardes, entende que cabe aos 12 municípios da Comunidade Intermunicipal avançar com os estudos.
Os presidentes das Câmaras de Bombarral e da Lourinhã não fazem questão que o hospital seja erguido nos seus concelhos, sendo que “importante é a construção de uma nova unidade com todas as valências”.
O vice-presidente da Câmara de Óbidos, José Pereira, também concorda com a posição dos anteriores colegas, bem como com o investimento nas unidades atuais da região.

“Tanto os autarcas como a população devem lutar pela nova unidade”

Além dos autarcas, o debate sobre a temática “As razões técnicas para um novo Hospital no Oeste” também contou com as intervenções de Miguel Guimarães, Bastonário da Ordem dos Médicos, e Durão de Carvalho, engenheiro da Associação dos Engenheiros e Arquitetos Hospitalares, moderados pela jornalista Marina Caldas.
No que diz respeito à nova unidade do Oeste, Durão de Carvalho referiu que é “necessário começar pela definição do perfil e do programa funcional” que a unidade deverá ter. Projetos esses que terão que ser elaborados pelo Ministério da Saúde.
Do planeamento da unidade “deverá ainda constar um estudo da estrutura demográfica, epidemiológica e sua evolução na área de influência, um levantamento da situação existente, uma definição da carteira de serviços e a dimensão”, explicou o engenheiro.
Mas antes de falar sobre as razões para a construção de um hospital, Durão de Carvalho recordou que a unidade existente, que serve 300 mil habitantes de três concelhos, tem “uma atividade muito reduzida relativamente à população que serve”. Além disso apresenta uma atividade assistencial, com uma “quota de mercado bastante baixa, rondando os 55%”, uma dispersão que “considero negativa” dos recursos pelas três unidades, com custos operacionais elevados conforme a monitorização do Serviço Nacional de Saúde, que rondam anualmente os oitenta milhões de euros e um número de trabalhadores dos diversos setores profissionais abaixo da média nacional.
Frisou ainda as valências “que deviam de ter internamento e que não têm no Centro Hospitalar do Oeste”, como é o caso da psiquiatria, da cardiologia, da neurologia e da oncologia médica, e as novas, “que também deviam de existir, sem necessitar de internamento”, como é o caso da estomatologia, da infeciologia, da reumatologia e da anatomia patológica. Face isto, “o passo seguinte é definirmos qual é a dimensão que o novo hospital deve ter”.
Para o responsável terá de ser um hospital para responder às necessidades da população, com uma dimensão igual à do Hospital de Loures. Além disso “deverá ter capacidade para realizar mais consultas do que aquelas que atualmente fazemos”.
O novo hospital, no seu entender “deverá ter 414 camas, 43 gabinetes de consulta, 9 salas de operações (5 salas de cirurgia programada, 3 de cirurgia de ambulatória e 1 de obstetrícia), uma Unidade de Hemodialise, com 20 cadeirões, uma Unidade de Cuidados Intensivos polivalente de nível II e III, com 24 camas, e uma Urgência Médico Cirúrgica”. Este planeamento de hospital, que prevê uma área que ronda entre os 50 a 60.000 m2, terá um custo previsível entre 100 a 120 milhões.
No entanto, segundo o engenheiro, iria permitir “concentrar os recursos existentes dispersos por três unidades potenciando o trabalho em equipa, com consequente melhoria de qualidade, a completa e a racional utilização dos recursos tecnológicos, que hoje se encontram dispersos, a eliminação de circuitos e processos penosos para doentes e profissionais, a atração de novos profissionais e a manutenção dos existentes”, e garantia uma quota de “mercado normal”.
Igualmente substituía as instalações inadequadas, sem funcionalidade e condicionantes da atividade clinica e da qualidade disponibilizada aos doentes e ainda reduziria os custos operacionais nos hospitais centrais.
Construído de raiz, a nova unidade terá “um custo de orçamento anual da ordem daquele que já tem hoje, mas com melhorias significativas”.
Como tal, Durão de Carvalho recomendou que “tanto os autarcas como a população devem lutar pela nova unidade, de modo a que seja construído na próxima legislatura, com todas estas condições apontadas”.

Novo hospital “por uma questão de qualidade e de racionalidade”

Já António Curado, médico e presidente da mesa da Assembleia do Conselho da Cidade, frisou que “a zona oeste é uma das mais carenciadas do país em cuidados hospitalares públicos”, e como tal é “preciso um novo hospital, por uma questão de qualidade e de racionalidade”, permitindo assim a resolução da dispersão de recursos, da falta de camas de internamento, da falta de unidade de cuidados intensivos, da dificuldade de atrair profissionais qualificados e das acessibilidades rodoviárias e de helitransporte.
Igualmente permitirá um aumento da diferenciação técnica do hospital, redução das afluências de doentes aos hospitais de Lisboa, adequação para 300 habitantes, redução dos custos de exploração e da logística de hospitais, integração paisagística do novo edifício, parqueamento apropriado, nova estrutura física e operacional de hospital moderno, projeto de eficiência energética, servir uma população abrangente a todo o oeste e equidade na acessibilidade a tecnologias médicas, promover o desenvolvimento do potencial turístico e económico da região, permitir camas de cuidados continuados nas atuais estruturas, melhorar as condições de trabalho e de segurança dos profissionais e aumentar a satisfação dos utentes.
Contudo, “coloca-se a questão do estudo de perfil assistencial, onde o número de camas adequado deveria de ser entre 350 e 450, bem como a manutenção de todas as atuais 23 especialidades e a localização”.
No que toca ao projeto de financiamento, António Curado esclareceu que “teremos de ter em conta o novo quadro comunitário de apoio 2030”, que além de permitir a construção da nova unidade, permitirá a requalificação dos espaços devolutos. A unidade de Peniche poderá ser aproveitada para camas de cuidados continuados e nas Caldas, a “implosão dos edifícios e criação de espaço verde a montante do Hospital Termal”.
O responsável também alertou que “o facto de haver um novo hospital não invalida, de modo nenhum, um investimento em cuidados de saúde primários e de proximidade”. Nesse sentido, “não podemos deixar de olhar para as necessidades atuais e investir na organização atual”.

A construção tem sido “sucessivamente adiada”

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, explicou que a decisão de construção do novo hospital tem sido “sucessivamente adiada pelos políticos”, sendo algo que “não podemos continuar adiar”. Isso, segundo o responsável trará “mais custos a todos os níveis para os portugueses”, e portanto é “urgente investirmos mais no serviço público e resolvermos alguns dos problemas periféricos que temos, como é o caso desta região, que deverá ter uma atenção especial”.
Aproveitou para recordar que “o Oeste é uma das regiões do país tradicionalmente mais carenciadas no que diz respeito ao acesso aos cuidados de saúde”, o que “não tem tido a devida atenção”.
O responsável também referiu que “apesar das pequenas divergências que possam existir entre os autarcas, existe um consenso quanto à necessidade de um novo hospital para região e se houver um consenso e uma união de vontades é evidente que o governo consegue arranjar algum dinheiro, nem que seja numa parceria com alguém”.
No que diz respeito à localização, o bastonário frisou que “essa é uma questão que deve ser debatida entre os autarcas e os cidadãos”, apesar de a “decisão final ser sempre política”.
Na opinião do presidente do conselho diretivo da Administração Regional de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Pisco, “todas estas problemáticas serão seguramente resolvidas com a realização do estudo técnico”.

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